quarta-feira, 3 de julho de 2013

A fábula da Social Democracia

Independente de sua religião, partido ou time de futebol, hoje os brasileiros, em geral, compartilham de um sentimento de desalento. Parece que cansaram em acreditar no Brasil que nunca cumpriu suas promessas de se tornar um lugar minimamente civilizado. Eles sabem que há coisas erradas na maneira como o país é conduzido mas não sabem exatamente o que nos segura e nem como resolver estes problemas.  
Um consenso entre brasileiros é o de que a corrupção é uma das maiores responsáveis, senão a maior, pelo fato do Brasil não acontecer. Rios de dinheiro que poderiam ir ao bem estar do povo vai para o bolso de políticos e de amigos dos políticos.
Outra queixa, não tão unânime, mas extremamente popular, é a de que o estado brasileiro, em todos os níveis (federal, estadual e municipal), não oferece serviços públicos adequados, como saúde, educação, polícia e transporte. Não há como negar esta afirmação, é só ver que os próprios políticos não utilizam os serviços que eles mesmos gerenciam para oferecer ao público.
A reforma política já não é tão aclamada como as outras questões, mas também é vista com bons olhos para tirar a injustiça que vemos hoje no sistema eleitoral, como um Tiririca levar um punhado de outros candidatos só porque teve uma expressiva votação, ou mesmo a questão da melhor representatividade com o voto distrital.
Os investimentos, especialmente em infra estrutura, são raros no país e são sempre citados como o motivo de baixo crescimento, e também são reivindicados por contribuintes exaltados como uma das causas dos nossos problemas.  
A última coisa que vale a pena citar é o pacto de responsabilidade fiscal que, citado por Dilma e sempre comentado nos meios políticos, é o menos aclamado pelo povo brasileiro (que, em sua maioria, nem entende isso direito e quer mesmo é que o estado saia gastando), mas que deixa a administração pública muito mais responsável com o dinheiro do contribuinte.
Vamos supor que, do dia pra noite, tudo isso seja improvavelmente resolvido. Reforma política, fim da corrupção, o estado começa a gastar o que arrecada e começamos a melhorar os serviços públicos e infra estrutura. Mesmo que tudo isso seja magicamente realizado, o Brasil continuará estagnado na promessa nunca cumprida. Explicarei. O povo clama por soluções que não solucionam - o brasileiro foi condicionado a viver, como a maioria das nações modernas, num modelo social-democrata onde o estado é a fonte de bem-estar. Se há alguma coisa errada no mercado ou nas pessoas, é de se acreditar que o estado vai corrigir e zelar pelo bom funcionamento do país. Sinto muito, mas a social-democracia, em toda a História, nunca serviu para enriquecer país nenhum e é fácil observar que onde há maior social-democracia há menor enriquecimento e vice-versa. Vou tentar explicar: ao tentar corrigir algum problema, a social-democracia tira legalmente recursos de uma atividade produtiva (leia-se lucrativa) e transfere para outra improdutiva. Ao fazer isso, ela pune as atividades produtivas, que são justamente aquelas que vão dar oportunidades aos improdutivos a começarem a produzir aos poucos e, com o tempo, enriquecerem e gerarem novos investimentos que vêm em conjunto com novas oportunidades. A social democracia substitui este ciclo virtuoso por um vicioso. Repito, o ciclo virtuoso é maximizar as oportunidades, que são provenientes dos investimentos feitos por setores produtivos da economia - sempre incentivadas pelo lucro, para que todos tenham chance de enriquecer. Quando se tira ou se restringe o lucro, diminuem os investimentos, assim como as oportunidades, e aqueles que foram beneficiados com a ação do estado social-democrata por causa desta "correção", na verdade perderam a oportunidade de ganhar e de escolher como iriam gastar a riqueza haviam adquirido. Além de desincentivar o investimento (e diminuir as oportunidades), o estado toma para si o trabalho de oferecer serviços (educação, saúde, cultura, etc...) os quais, por serem monopólios (afinal você já pagou por eles quando pagou impostos), vão ser pessimamente prestados devido a falta de concorrência. A concorrência exerce uma força parecida com a gravidade, que impulsiona aquele que presta um serviço ou vende um produto a fazê-lo da melhor forma a melhores preços, senão outro qualquer, desimpedido, vem e rouba seu clientes. Quem seria louco de abrir, no Brasil, uma escola particular para classe D e até C? Este público já tem o monopólio estatal da educação do estado. E estas pessoas não vão escolher outra escola, pois por pior que seja o serviço, é "de graça". Na verdade é caríssimo, pois custa a falta de oportunidade de enriquecer para aqueles que usufruem deste serviço. 
Enquanto os brasileiros acreditarem nesta fábula chamada social democracia, o Brasil não irá se tornar o que gostaríamos que ele fosse. Entender o funcionamento do mercado, ou melhor, de como funciona o homem, é a única maneira para poder dar soluções realmente eficientes. As soluções propostas pela social democracia miram as conseqüências, e não as causas, e por isso sempre falham na tentativa de chegar a seus objetivos e de transformar uma nação mais rica.

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